ENTRE NESTE NOVO MUNDO
Psiquiatria e Clínica
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Depressão
e Equilíbrio
Ajuda
na elaboração de perdas, ou sofrimentos ocasionais. Ao contrário do que se possa pensar, esta não é uma doença moderna. Hipócrates, considerado pai da medicina, descreveu seis doenças mentais, dentre elas a depressão, há aproximadamente 400 antes de Cristo. Os sintomas podem se manifestar de forma branda, e é comum o paciente procurar um clínico-geral, acreditando estar com falta de vitaminas ou outra doença grave. Outros acreditam ser "mais uma fase ruim", e não procuram ajuda, agravando mais o problema. É comum o paciente ser conduzido por familiares, contra sua vontade. A pessoa alega estar se sentindo bem, mas a família percebe que ela apresenta comportamentos estranhos, não compatíveis com os usuais. A caracterização deste distúrbio psíquico se dá pela ocorrência de pelo menos cinco destes sintomas num prazo mínimo de duas semanas: ansiedade, diminuição da libido, dificuldade de concentração, fadiga constante, sensação de desânimo, inquietação, irritabilidade, perda ou excesso de apetite, insônia ou sonolência excessiva, tristeza persistente, perda de interesse pelas atividades prazerosas, sentimentos de culpa, auto-desvalorização, pessimismo, idéias de morte ou de suicídio, dores de cabeça ou distúrbios digestivos que não respondem a tratamento. Sintomas
isolados, ou mesmo sintomas em conjunto devem ser examinados para se evitar
a realização de diagnósticos imprecisos e questionáveis.
Existem casos de dores crônicas, em que o paciente, após
inúmeros exames que se mostram normais, melhoram com o tratamento
antidepressivo adequado. Na tentativa de descobrir o que desencadeia uma doença afetiva como a depressão, cientistas se empenham em desvendar implicações genéticas, a estrutura cerebral, e a relação entre os mecanismos químicos do cérebro. Sabe-se que algumas substâncias químicas que permitem a comunicação celular no cérebro (neurotransmissores), como a dopamina, seratonina, noradrenalina, são responsáveis por uma espécie de regulagem das emoções. Os antidepressivos foram criados para repor a falta dessas tais substâncias, mas os cientistas perceberam que mesmo que o medicamento aumente o nível dessas substâncias pouco tempo após ser ingerido, só começa a fazer efeito após duas semanas de uso. A causa da depressão não seria então decorrente apenas da falta de neurotransmissores, mas também de um desajuste na comunicação das células nervosas e este tempo de duas semanas seria necessário para um acerto no sistema. Uma outra possibilidade seria a determinação genética, ligada ao cromossomo X. Os homens possuem somente um desses cromossomos, já as mulheres tem dois, por isso teriam duas vezes mais chance de ficar deprimidas.
Doenças cardiovasculares, disfunções hormonais e
da tireóide, distúrbios neurológicos e o câncer,
também podem desencadear crises depressivas, mas tratada a doença
de base, a depressão desaparece. Na prática clínica encontramos pacientes que, além de apresentarem um quadro de depressão, apresentam também outros distúrbios psiquiátricos,como: distúrbios de ansiedade, uso de drogas ou de álcool, anorexia nervosa. Também distúrbios clínicos, como por exemplo: insuficiências glandulares, doenças neurológicas, doenças cardíacas e também alguns medicamentos no combate a hipertensão ou antiinflamatórios, podem precipitar o aparecimento da depressão em indivíduos predispostos (comenta o Dr.Táki Cordás, Mestre em Psiquiatria pela faculdade de Medicina da USP). Como durante a menopausa acontecem transformações na vida da mulher, provocadas pelas alterações hormonais, outras sociais como a independência dos filhos, indefinição profissional ou eventuais separações, é comum que ela procure seu clínico reclamando dessa sensação de vazio, de estar deprimida. Pode
acontecer, e é até comum uma superposição
de quadros (menopausa/depressão), neste período, mas isoladamente,
a menopausa não pode ser considerada sinônimo de depressão. A depressão pode evoluir como uma doença única ou ter várias fases. Algumas pessoas têm vários episódios depressivos ao longo da vida. "Na realidade, os limites entre depressão leve, moderada ou grave são arbitrários. Considera-se depressão leve ou moderada, quando o paciente consegue executar algumas ou mesmo todas as tarefas pessoais, mas para isto faz um esforço enorme. Já nos casos depressivos graves, o indivíduo não consegue se alimentar, manter cuidados pessoais e a deteriorização é progressiva, podendo levar à morte" (explica o Dr. Cordás). O tratamento ideal é inicialmente farmacológico, mas de uma maneira geral, associado à medicação recomenda-se o acompanhamento psiquiátrico que, além de fazer com que o paciente se sinta mais forte, ameniza a rejeição ao tratamento químico que pode durar anos. Os antidepressivos se mostram eficazes em 75 a 90% dos casos, e a eficiência de todos é muito parecida, o que muda são os efeitos colaterais; quem escolhe a melhor opção para cada caso é o especialista. Os grupos de antidepressivos mais utilizados são os tricíclicos, inibidores seletivos da seratonina e inibidores irreversíveis da MAO. Na
maior parte das ocorrências, depois de encontrar o remédio
certo, os sintomas desaparecem em um ou dois meses, mas a medicação
deve ser mantida por pelo menos seis meses, isto num primeiro quadro depressivo.
Essa freqüência tende a aumentar com a ocorrência de
novos episódios; alguns critérios sugerem que a partir da
ocorrência de um terceiro quadro esta manutenção se
prolongue por toda a vida. Medicamento antidepressivo não é produto cosmético, a ilusão da pílula da felicidade foi criada pela mídia. Isso é péssimo, pois alguns tomam o remédio sem necessidade, mas o pior são aqueles que tomam o medicamento para mascarar graves problemas pessoais. Remédio de depressão NÃO VICIA. Algumas
pessoas abandonam o tratamento, assim que desaparecem os sintomas, com
medo de se tornarem dependentes do medicamento. Essa é uma atitude
prejudicial ao próprio paciente.
Depressão é doença séria
e assim deve ser tratada.
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